Profissionais de TI ou Engenharias podem desenvolver Soft Skills com mais facilidade

Se você não sabe o que são Soft e Hard Skills, farei uma breve explicação sobre o que são e qual é a importância desses conceitos para sua vida profissional. Caso já saiba, pode pular para o subtítulo É possível aprender Soft Skills?.

Em se tratando de habilidades pessoais, podemos dividir cada uma delas em dois grupos: Hard Skills e Soft Skills.

Hard Skills são habilidades de cunho mais técnico. São habilidades que você aprende ao longo de sua vida e possibilitam a você desenvolver alguma tarefa operacional. Dou alguns exemplos:

  • Programar computadores;
  • Desenhar;
  • Operar um equipamento;
  • Fazer cálculos matemáticos;
  • Ensinar;
  • Escrever;
  • Praticar algum esporte.

A lista pode ser gigantesca, mas, como meu objetivo é apenas fazer você entender o conceito, creio que já é suficiente.

Soft Skills são habilidades que também podem ser aprendidas, mas, neste caso, são habilidades mais subjetivas. Elas não estão relacionadas com tarefas operacionais, mas com sua forma de interagir com as pessoas. Elas são de cunho comportamental.

Alguns exemplos do que são Soft Skills:

  • Atitude;
  • Comunicação;
  • Liderança;
  • Ética;
  • Paciência;
  • Persuasão;
  • Positividade.

E por que é importante que você saiba o que são Soft Skills?

Muito simples. Em sua opinião, qual destas duas tarefas é a mais fácil?

[ ] Ensinar alguém a dirigir um carro.

[ ] Ensinar alguém a ser mais paciente.

A menos que você seja um terapeuta cognitivo-comportamental que tem fobia de dirigir — algo que, aparentemente, é uma auto contradição, uma vez que sendo um analista do comportamento você deveria ter lidado com o sua própria fobia — creio ser muito mais provável que você diga que a tarefa mais fácil seja ensinar alguém a dirigir.

De um modo geral, as Hard Skills são sempre mais fáceis de ser replicadas por outras pessoas. E aí está o X da questão.

Em um processo de recrutamento ou até mesmo de promoção de cargo, suas Soft Skills poderão ser um fator determinante.

Por exemplo: Se você é um ótimo programador, mas, não consegue se comunicar bem, poderá perder o cargo de gerente de projetos para alguém que não programa tão bem como você, mas se comunica melhor, sabe defender suas ideias e convencer outras pessoas a colaborar com ele.

O ponto aqui é: Em um grupo de programadores, todos sabem programar, mas, neste mesmo grupo, quantos sabem ser resilientes, pacientes, positivos, focados, etc?

Percebe que esses pontos serão o que poderá colocar você em destaque no grupo?

É possível aprender Soft Skills?

Nenhum de nós nasce com nosso repertório comportamental pronto. Tudo que você sabe fazer hoje, seja uma habilidade técnica, seja comportamental, foi aprendido.

Uma pessoa que não consegue persistir com seus sonhos e desiste diante de qualquer dificuldade, aprender a se comportar assim. Esse padrão de comportamento provavelmente foi aprendido de forma inconsciente, ou seja, sem que a pessoa soubesse que estava aprendendo. Mas isso não descaracteriza um aprendizado.

Logo, se você aprendeu a agir de uma determinada forma, você pode aprender a agir de forma diferente. É justamente neste nicho de mercado que psicólogos, coaches, psicanalistas, e outras profissões atuam.

O processo de aprendizado de uma Soft Skill é exatamente o mesmo que usamos para aprender uma Hard Skill. Basicamente, três passos:

  • Conhecimento;
  • Prática;
  • Repetição.

Por que profissionais de TI ou Engenharias podem desenvolver Soft Skills com mais facilidade?

Uma área do conhecimento humano extremamente nova tem recebido bastante destaque recentemente. Trata-se da Neurociência, a ciência que tem como seu principal objeto de estudo o sistema nervoso central.

O avanço da tecnologia tem permitido aos cientistas dessa área fazerem descobertas fantásticas nos últimos anos. Uma delas, e que tem relevância para o tema que estamos tratando, é de que existem sistemas, em nosso cérebro, responsáveis por padrões de comportamentos.

Fazendo uma analogia com o mundo computacional, é como se nossa mente fosse um grande sistema operacional que, naturalmente, usa softwares especializados para tarefas específicas.

Dois desses sistemas são importantes para nós agora. O Sistema Límbico e o Córtex Pré-frontal.

Qual é a função de cada um deles?

O Sistema Límbico tem como função, também, gerir nossa emoções e sentimentos. É a parte de nosso cérebro que possui os gatilhos que disparam nossas emoções e consequentemente nossos sentimentos.

O Prof. Pedro Calabrez, um dos maiores neurocientistas do Brasil, conceitua emoção nos seguintes termos: “Emoções são programas de ação coordenados pelo cérebro, que gerenciam modificações em todo o seu corpo”.

Ou seja, quando um cachorro late e você subitamente pula em direção oposta encolhendo seus braços e procurando imediatamente uma pedra ou pedaço de madeira para se defender, tudo isso foi coordenado de forma inconsciente por uma emoção que está instalada em seu cérebro. Veja que você não precisou pensar nessa ações. Elas ocorrem instantaneamente e são fundamentais para sua sobrevivência.

Imagine se você tivesse que processar a informação de que há um cachorro por perto. De que, pela força do latido, ele deve ser bem grande. De que ele está à sua direita, logo, provavelmente seja melhor você dar alguns passos para a esquerda, etc..

Percebe que há vários pensamentos atrás você já teria sido mordido pelo cachorro?

O Sistema Límbico trabalha para que suas ações sejam rápidas, instintivas. Aja primeiro, pense depois.

Já o Córtex Pré-frontal age de forma totalmente oposta. Ele é lento a analitico. Verifica os detalhes. Pondera as possibilidades. Compara as opções para ter certeza de que irá tomar uma boa decisão.

Esses dois aspectos de nossa mente são abordados de forma mais profunda no excelente livro “Rápido e devagar, duas formas de pensar”, do teórico em finanças comportamentais Daniel Kahneman.

Como você já deve ter imaginado, para obtenção de conhecimento técnico e aplicação do mesmo, nós usamos de forma prioritária o sistema localizado no Córtex Pré-frontal. Já habilidades ligadas a controle de estados emocionais, possuem mais ligação com a habilidade de controlar o seu Sistema Límbico.

No livro “Inteligência Emocional — A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”, do psicólogo norte americano Daniel Goleman, é dito que esses dois sistemas possuem não apenas funções, mas atuações antagônicas também.

Na prática, o que isso significa?

Significa que, quando nosso Sistema Límbico está em ação, nosso Córtex Pré-frontal é inibido. E o contrário da mesma forma, naturalmente.

Um exemplo prático é uma crise de raiva. Você já viveu um momento de raiva intensa onde agiu de forma enérgica e, algum tempo depois, ao refletir sobre o que fez, achou suas atitudes exageradas?

O que ocorreu foi que, durante a raiva, seu Sistema Límbico estava atuando de forma intensa. Isso faz com que naturalmente o seu eu racional perca a força. Você não consegue pensar racionalmente no que está fazendo. Uma vez que as emoções e sentimentos são dissipados, seu eu racional começa a entrar em cena e aí você percebe que não deveria ter feito o que fez.

Profissionais de áreas como Tecnologia da Informação ou de Engenharias em geral, trabalham cotidianamente com tarefas que exigem muito do raciocínio lógico.

Pela repetição, eles desenvolvem habilidades relacionadas ao uso do Córtex Pré-frontal. E aí está o grande segredo para que você desenvolva Soft Skills de forma mais fácil.

Permita-me dar um exemplo muito específico.

Digamos que você seja uma pessoa que se estressa muito no trabalho e queira modificar isso.

O primeiro passo é identificar o padrão de comportamento que causa estresse.

Vamos usar uma função simples da programação: Se… Então…

Você precisa se perguntar: Que tipo de coisas acontecem em meu trabalho que geram estresse em mim?

Os equipamentos que uso para trabalhar são inapropriados. Eles me fazem perder muito tempo porque são lentos.

Então temos:

Se eu uso os equipamentos na empresa onde trabalho e eles estão lentos, então eu fico estressado.

Descobrimos uma relação causa efeito.

Vamos agora levantar possíveis soluções:

Posso falar com o patrão para que ele compre novos equipamentos;

Posso levar meus equipamentos pessoais para o trabalho;

Posso entender que a limitação não é minha e aceitar o tempo que é gasto para as tarefas.

Para nosso exemplo hipotético, vamos assumir que a terceira opção seja a opção mais viável.

Uma vez que você tenha isso em mente, sempre que os equipamentos do trabalho apresentarem lentidão, seu Sistema Límbico naturalmente o estimulará a ficar chateado, mas, você agora invocará o seu sistema racional e dirá para si mesmo:

“Infelizmente não posso fazer nada para mudar esta situação. Não se trata de uma limitação minha, mas da empresa.”

Aplicamos agora os três passos do aprendizado que vimos no início do texto:

Aprendizado: Reconhecimento da relação causa–efeito. Reconhecimento da resolução teórica.

Prática: Dizer para si mesmo que não é culpa sua.

Repetição: Repetir esta afirmação a cada vez que o estresse vier à sua mente.

Com o tempo, o novo padrão será estabelecido e o problema solucionado.

Você consegue perceber que, colocar em prática este plano é algo muito mais simples para alguém que está acostumado a pensar de forma estruturada, estratégica?

Eu sei que parece simples demais para ser verdade, mas o fato é que, é.

Em artigos futuros, pretendo abordar de forma mais específica muitos dos temas que falei de forma superficial aqui. Se você gostou deste conteúdo, deixe seu comentário abaixo e não esquece de curtir a fã page da Vídeos de TI.