[Post + Vídeo] The Developers Conference — Trilha Ruby, São Paulo 2018

Depois de algum tempo longe dos eventos, decidi participar de um evento voltado a desenvolvedores. Desde o GDG DevFest Maceió em 2016, estava meio off dos eventos principalmente por estar iniciando em um novo emprego e precisava me dedicar mais ao menos na fase de adaptação, acabei me casando no meio do caminho e precisei dedicar uma boa quantidade de tempo a vida pessoal.

Por um acaso vi um post sobre o TDC no grupo Ruby on Rails Brasil no Facebook, combinei com minha esposa minha ida (sim, depois que casa tem que combinar tudo) e logo estava com as passagens, hospedagem e inscrição garantidas.

Dica número 1, viagem de avião

Se você mora longe dos grandes centros igual a mim, prefira comprar passagens de avião com poucas escalas ou sem nenhuma de preferência, acabei deixando pra comprar minha passagem muito tarde e precisei fazer 4 paradas, saindo de Aracaju, parei em Salvador, Brasília, Rio de Janeiro e finalmente São Paulo. Apesar de conhecer alguns locais interessantes nos aeroportos, os preços são altíssimos (paguei quase R$ 20,00 em um café médio) e provavelmente você se cansará muito.

A cidade

Pra quem tem vontade de ir aos eventos em São Paulo e não vai por razões de falta segurança ou coisa do tipo, está perdendo uma ótima oportunidade de dar uma sacudida na sua carreira e até mesmo na sua visão em relação ao mundo, existem sim bairros muito bons em São Paulo pra ficar hospedado, eu fiquei em Moema vizinho ao bairro Vila Olímpia, onde aconteceu o evento. Apesar de morar em uma cidade de 120 mil habitantes e gostar da tranquilidade, sempre me sinto muito bem em São Paulo. Vale a pena, sim!

O local do evento

O evento ocorreu na Universidade Anhembi Morumbi, particularmente gostei bastante do lugar. Espaçoso, espaços ao ar livre (apesar da garoa) e muitas salas, gostei também da disposição dos stands e claro, da localização, muito próximo ao hotel que fiquei.

Conteúdo das palestras

Se fosse necessário da minha parte dar uma nota ao conteúdo que vi nas palestras da trilha Ruby, eu daria um 8. Mas isso é pessoal, provavelmente existem pessoas que dariam 10 e outras menos do que eu. Pra mim algumas palestras foram mais interessantes que outras simplesmente por serem coisas que nunca vi, coisas que posso utilizar na minha rotina de dev Ruby ou coisas que eu já sabia ou também que não tenho o menor interesse.

Foram basicamente 8 palestras técnicas e uma no fim falando das atividades do Rails Girls, Ruby Ladies e diversidade na área de desenvolvimento. Creio que nenhum evento seja capaz de agradar todos 100% em relação ao conteúdo que se vê, então por mim está tudo ok.

Palestra 1 — Programação funcional com Ruby, potencialize e simplifique qualquer codebase.

A primeira palestra já foi em uma velocidade frenética, apresentada pelo Rodrigo Serradura, no qual mostrou que a linguagem Ruby cumpre todos os requisitos que uma linguagem funcional necessita. Uma frase dita pelo mesmo que me chamou atenção, “código é igual a piada, se você precisa explicar… não está muito legal” e concordo plenamente. Além disso, ele também mostrou uma gem bem interessante que eu não conhecia, a Dry-Transactions.

Palestra 2 — Design de aplicações orientadas a objeto: uma visão rubista

A segunda palestra apresentada pela Elaine Naomi trouxe alguns conceitos conhecidos como DRY e SOLID apresentados de forma mais profunda, com alguns exemplos práticos.

Palestra 3 — Maior performance no seu sistema com o uso adequado de ORM em Rails

Particularmente a palestra apresentada pelo Isaac Felisberto foi uma das que mais gostei, por se tratar de um tema que tenho precisado muito no meu trabalho ultimamente, melhorar o desempenho das Queries através do Active Record. Foram passadas algumas dicas como o uso de Includes e Joins e ferramentas de benchmarking e análise de Queries como a gem Bullet, que eu já conhecia mas não custa relembrar.

Palestra 4 — Código simples: Navalha de Occam para desenvolvedores Ruby

A quarta palestra foi apresentada por ninguém menos que o mestre Eustáquio Rangel, um dos responsáveis pela linguagem Ruby no Brasil. Foram abordados alguns temas e ferramentas para otimização de código, o título da palestra é interessante, parte de um princípio lógico e epistemológico que afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve assumir a menor quantidade de premissas possível, além de nos fazer rir bastante com coisas do tipo “o código Haduken”.

Palestra 5 — Arquitetura Hexagonal: mantendo sua aplicação saudável

A palestra apresentada pela Camila Campos, uma das organizadoras do Rails Girls de Sampa foi uma das que mais voei, entendi um pouco do conceito da Arquitetura Hexagonal mas acho que teria entendido melhor se me preocupasse apenas em entender o que ela estava passando e não ficar tentando ver uma forma de utilizar aquilo no meu trabalho, confesso que foi falha minha e já coloquei na minha lista de leituras.

Palestra 6 — Desenvolvendo e deployando aplicações Ruby utilizando Docker

A mini-palestra apresentada pelas meninas da Thoughtworks Amanda Silva e Juliana Fernandes foi uma daquelas palestras muito curtas (durou talvez pouco mais que 20 minutos) mas que te deixa empolgado em pesquisar mais sobre um assunto, foi o caso do Docker. Ouço muito falar em Docker e vejo muitas pessoas utilizando, mas confesso que não parei ainda pra entender o fluxo de desenvolvimento e deploy com o Docker, também está nas próximas leituras.

Palestra 7 — Uma Aplicação Ruby On Rails Integrada com GraphQL, a Linguagem do Facebook para APIs

A palestra sobre GraphQL com Ruby on Rails foi uma das que me deixou com vontade de pesquisar e testar em algum app o conteúdo passado. O Sérgio, responsável pela palestra explicou de forma rápida o uso do GraphQL e as diferenças em comparação ao REST, além de deixar o link do seu post sobre isso publicado no OneBitCode.

Palestra 8 — Sequel+ para ActiveRecord Heavy Users

Confesso que a palestra da Débora Fernandes foi a que mais me chamou a atenção, já tinha visto alguns comentários sobre a gem Sequelmas também nunca parei pra testar ou brincar em algum projeto meu, mas depois que a palestrante mostrou dados reais de uma melhoria significativa no app em que ela trabalha com o uso do Sequel, me empolguei, como a palestra do Isaac sobre ORM, o conteúdo da última palestra técnica passa muito por aquilo que estou abordando no meu trabalho, então nada mais natural do que me chamar a atenção e me fazer acordar, já estava bastante cansado e já pensando no meu retorno pra casa no próximo dia.

No fim, rolou uma conversa mais informal com as meninas organizadoras do Rails Girls e Ruby Ladies, falando sobre diversidade e dificuldades encontradas pelas mulheres tanto na área acadêmica quanto profissional no mundo do desenvolvimento, teve até umas dicas de como os homens podem auxiliar no processo.

Conclusão

Depois de mais de 4 mil KM “rodados” na ponte Paulo Afonso — São Paulo, São Paulo — Paulo Afonso, o sentimento de que valeu sim a pena o gasto, o cansaço e até alguns pequenos estresses da viagem pra levar esse choque de realidade, muitas vezes esquecida por mim e provavelmente por muitos que não moram em cidades grandes como São Paulo e tem a oportunidade de participar desses eventos com mais frequência.

Repito, é importante participar de eventos, principalmente aqueles ligados diretamente com a linguagem que trabalhamos, entramos em contato com pessoas mais experientes, enxergamos novas possibilidades na nossa carreira e até nos cobramos mais, pra sermos melhores e continuar sempre no caminho da evolução.

É isso, parabenizo a organização do evento e em especial o trio responsável pela Trilha Ruby no TDC São Paulo 2018. Patrícia, Edgar e Talysson.

Nossa Live

E pra quem quiser assistir eu e o Jackson Pires comentando sobre o evento, segue o vídeo:

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É isso, gente! Até a próxima! 😉